LULA-VAMPIRO-DO-INFERNO
Seu nome não lhe foi dado porque ela se alimente de sangue, mas sim pelo fato de que as membranas de seus tentáculos aparentam ser uma capa como a do conde Drácula, dos filmes de terror. Quando ameaçada, esses apêndices móveis são colocados para fora, tornando o animal uma esfera pontiaguda. Ao contrário de outras lulas, esta espécie só tem oito tentáculos. Além disso, à sua aparência estranha são adicionados os olhos que brilham no escuro.
Sabe-se bem pouco sobre o seu desenvolvimento corporal, desde o embrião até a plena forma adulta, a não ser que durante esse processo elas passam por três fases distintas na formação e transformação física. Dependendo das condições de iluminação, seu corpo gelatinoso torna-se aveludado preto, vermelho, roxo ou da cor marrom. Possuem uma membrana ligando os tentáculos entre si, cada um deles coberto por fileiras de espinhos moles e com ventosas disponíveis apenas nas extremidades.
Para proteger-se dos outros animais elas emitem um brilho azulado (bioluminescência) que dilui seu contorno e as esconde dos que estão por baixo delas. A bioluminescência é um processo biológico que origina radiações luminosas, ou seja, a luz emitida pelos organismos luminescentes de determinados animais dá aos mesmos um espectro contínuo, abrangendo toda a região visível
Os pirilampos apresentam fenômenos comuns de bioluminescência, bem como peixes que vivem em grande profundidade, vários tipos de caranguejos, de moluscos e de medusas, alem de protozoários microscópicos que produzem pontos brilhantes no fundo do mar. Esta estratégia de defesa é usada largamente pela lula-vampiro-do-inferno, que, além disso, possui um par de fotorreceptores situados no topo da cabeça, possivelmente para alertá-la sobre movimento acima de onde se encontra.
A lula-vampiro não tem bolsas de tinta, como os polvos, talvez devido à pouca praticidade desse tipo de defesa nas águas escuras das grandes profundidades. Ao se sentir ameaçada ela dispara uma nuvem de muco pegajoso bioluminescente, o que surpreende os predadores e dá a ela a oportunidade de escapar.
Praticamente toda a superfície do corpo desse molusco é coberta com órgãos de bioluminescência – fotóforos, órgãos luminescentes dos animais – semelhantes a pequenos discos brancos que aumentam de tamanho nas extremidades dos tentáculos e na base das barbatanas. A lula-vampiro-do-inferno controla muito bem esses órgãos, sendo capaz de produzir desorientação a seus perseguidores emitindo flashes de luz que duram desde alguns centésimos de segundo a vários minutos. Além disso, pode controlar o brilho e tamanho das manchas de cor.
Embora a dieta das lulas-vampiras-do-inferno seja desconhecida, supõe-se que pequenos crustáceos (incluindo camarão) e animais aquáticos como as hidras de água doce, medusas, águas-vivas oceânicas, os corais, anêmonas do mar e as caravelas, certamente estejam incluídos. Isso porque, devido à escassez de alimentos em seu habitat, torna-se lógica a suposição de que elas sejam onívoras, e por isso comam tudo que consigam capturar.
Para a vida em grandes profundidades, sob alta pressão e com carência de oxigênio, a lula-vampiro-do-inferno conta com várias adaptações orgânicas importantes, entre elas a de que possui o menor nível de metabolismo entre todos os cefalópodes que vivem bem abaixo do nível do mar. Sua musculatura, ainda que subdesenvolvida, tem um perfeito sistema de equilíbrio, e com isso a densidade do corpo praticamente corresponde à da água do mar, o que permite ao animal manter-se flutuando com pouco esforço, além de proporcionar-lhe mobilidade suficiente;
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